A nova realidade da comunicação no mundo das startups

Por Antonio Prado, Head de Atendimento da PinePR


As startups brasileiras estão cada vez mais maduras, e em maior número. E essa é uma grande notícia para um país que precisa, urgentemente, acelerar sua inovação para fazer frente aos desafios de um mundo cada vez mais digitalizado.


Para onde se olha, o cenário é de expansão. No total, os investimentos em startups no Brasil saltaram de US$ 550 milhões para US$ 5,2 bilhões nos últimos cinco anos – uma alta de incríveis 845%. Em 2021, o avanço foi ainda maior: as startups brasileiras levantaram mais de US$ 8,6 bilhões até agora, quase o dobro de todo o ano passado.

Se em um primeiro momento as fintechs chamavam a atenção nas rodadas iniciais de investimentos, hoje o mercado brasileiro é muito mais diversificado, atrativo e preparado para aproveitar as oportunidades que se desenham.


Números positivos aparecem em toda parte, mostrando que o último ano foi um grande catalisador de oportunidades em segmentos que vinham tendo pouca visibilidade. No setor de energia, por exemplo, os aportes em startups brasileiras chegaram a US$ 66,4 milhões no primeiro semestre deste ano. Um valor ainda baixo, mas que já responde por 78% de tudo o que foi investido em empresas nascentes nesse setor desde 2015. Segundo o Energytech Mining Report 2021, do Distrito, já existem 157 startups no setor de energia, sendo que mais de um terço delas traz soluções ligadas a energia renovável.


Um outro bom exemplo de um segmento que agora começa a desabrochar: as startups focadas em serviços de seguro, as insurtechs, triplicaram no Brasil em cinco anos, indo de 37 para 109 entre 2015 e 2020. Poucas, é verdade, mas o crescimento desse setor é uma tendência irreversível: 73% do faturamento do mercado de seguro se concentra em apenas 10 empresas. Certamente existem muitas demandas ainda pouco atendidas, que podem ser solucionadas por startups ágeis, focadas e que ainda atuam em pequena escala.


O crescimento constante do ecossistema de inovação, e o entendimento de que mesmo grandes empresas não conseguem avançar sozinhas, faz com que as expectativas sejam muito positivas para os próximos anos. Os aportes em startups continuaram aumentando, seja nos estágios iniciais, seja em rodadas mais avançadas e chegando até mesmo aos IPOs. Fundos de venture capital e de private equity continuarão avançando, uma vez que os juros ainda baixos no Brasil e a possibilidade de ganhos exponenciais em startups criam um ambiente em que a relação risco/retorno fica favorável às empresas nascentes.


Uma nova realidade


Com o interesse cada vez maior de grandes empresas e de fundos de investimento em startups, o desafio dos negócios inovadores começa a mudar. Até pouco tempo atrás, era preciso superar a desconfiança de investidores em relação a modelos de negócios não comprovados e encontrar espaço entre os poucos que se dispunham a fazer aportes. A busca por clientes também era bem mais difícil, pois havia o temor de que aquela startup pudesse deixar o contratador “na mão”.

Isso mudou incrivelmente nos últimos dois anos, especialmente nos últimos 12 meses. O ambiente de incertezas trazido pela pandemia e a necessidade de encontrar novas soluções para lidar com os efeitos da crise – de lojas de varejo fechadas ao home office, passando pela necessidade de automatizar processos, atendimento e serviços – fizeram com que mais e mais empresas entendessem o real valor das startups. Quando bem aproveitadas, elas podem ser um sopro de calor e inovação em um ambiente engessado por décadas de ideias que não funcionam mais.

Também percebemos essa mudança no nosso dia a dia. Há dois anos, quando passamos a focar startups e negócios de impacto como o core da Pineapple Hub, havia uma dificuldade maior em dar visibilidade aos nossos clientes na mídia. Hoje, esse trânsito é muito mais simples: jornalistas entendem melhor o que os clientes fazem e existe até mesmo um buzz, uma busca pelo próximo unicórnio e pela próxima história incrível de sucesso.


Como sabemos que o sucesso dos nossos clientes também é o nosso crescimento, precisamos adotar uma estratégia com inúmeros pontos de contato com o mercado:


  • Comunicação interna para fortalecer a cultura da empresa e criar um time mais unido;

  • Canais próprios de comunicação, já que toda startup é hoje uma mídia, e consumidores, fornecedores e investidores irão, em algum momento, até o próprio site, blog e perfil em redes sociais conhecer a empresa. Ter uma estratégia de comunicação com todos os stakeholders faz toda a diferença;

  • Reforçar a comunicação a partir da mídia tradicional e de formadores de opinião nascidos no digital. Boas empresas trazem boas histórias e entregam bons resultados – e a comunicação é essencial para fazer esse ciclo acontecer.


De certa forma, o trabalho de uma agência de comunicação era mais simples no passado. Hoje, há uma infinidade de possibilidades de comunicação, inúmeras jornadas de relacionamento com os stakeholders e uma visibilidade muito maior tanto para os acertos quanto para os erros. Mas, com toda a evolução das startups, a agência de comunicação se torna um fator estratégico, pois funciona como o link que faz os clientes saírem do sonho e alcançarem os resultados esperados.

 

Antonio Prado é Head de Atendimento na PinePR e conta com mais de 11 anos de atuação em relações públicas e assessoria de imprensa. Como Head de Atendimento na PinePR, busca expandir a atuação da agência em gestão de crise e reforçar o atendimento de scale-ups e unicórnios, por meio de uma gestão estratégica e criativa focada em resultados e na excelência do atendimento.